Bethânia e Gil

Bethânia e Gil: calor compartilhado



     Intérprete e compositor baianos dividem o palco em show único e hot, hoje, no Teatro Guararapes Caetano Veloso e Gal Costa mostraram muito bem seus talentos. No entanto, em 1976, dava para perceber que entre os quatro baianos do espetáculo Doces Bárbaros, Gilberto Gil e Maria Bethânia eram os mais eufóricos em cena. "Nosso palco é parecido. Ali é um lugar vulcânico, onde a gente elabora muita coisa ígnea. Ambos somos calorosos. Não somos mansos, nem cool. Somos hot", afirma o baiano, que vai protagonizar um dueto com a conterrânea, hoje, às 21h30, no Teatro Guararapes.

     A apresentação faz parte do projeto Encontros Ourocard, que pretende reunir dois nomes do primeiro time da MPB em uma turnê por diferentes cidades brasileiras. "Na verdade, foi um convite fechado para uma comemoração no Credicard Hall. Então, montamos um pequeno show para mais duas apresentações (Recife e Salvador, no dia 07). Daí começaram a surgir os pedidos como se fosse uma temporada normal, mas não é", explica Maria Bethânia, por telefone.

     De acordo com os dois artistas, no repertório do espetáculo estão músicas de Milton Nascimento, Chico Buarque, Gonzaguinha e do próprio Gilberto Gil. "Nós também misturamos canções de nossos últimos trabalhos". Aliás, entre os bons momentos destes álbuns, estão Agradecer e Abraçar (Vevé Calazans/Gerônimo) e Não Tenha Medo (Niltinho Ediberto), do CD A Força Que Nunca Seca, da cantora. Juazeiro (Luiz Gonzaga) e o hit Esperando na Janela (Targino Gondim/ Manuca/ Raimundinho do Acordeom), da trilha do filme Eu Tu Eles, realizada por Gilberto Gil, que revisitou a obra de Gonzagão.

     De acordo com o compositor, havia uma vontade sua de vir ao Recife lançar este álbum. "Mas não houve convite na época. Cheguei a tentar na época do São João, quando fiz show em Campinha Grande (PB), mas não aconteceu", conta. Já Maria Bethânia chegou a apresentar o brilhante espetáculo A Força Que Nunca Seca, no ano passado. Nele, emoção, interpretação e técnica precisa foram as palavras-chave.

     Anteriormente, a intérprete já havia dividido - com sucesso - o palco com outros artistas. Primeiro, foi Chico Buarque, em 1975,quando comemoraram dez anos de carreira juntos, resultando num LP. Também acabou em disco o espetáculo que a artista realizou ao lado do irmão, em 1977, do qual surgiu Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo. Sempre marcados por sua - literalmente - forte presença de palco.

Show merecia registro em disco

      Um importante encontro como esse de Gilberto Gil e Maria Bethânia merecia o registro em disco. Como o baiano gosta de afirmar, seus trabalhos ao vivo são os melhores - que o diga o Unplugged MTV, que tocou à exaustão. Mas, parece que os ouvintes não vão desfrutar desse prazer. De acordo com os dois artistas, não houve nem vai haver gravação dos shows (Recife e Salvador). "Não podemos seguir com essa apresentação, porque cada um tem os seus projetos", afirma a cantora.

     Ela estava se referindo ao disco comemorativo aos seus 35 anos de carreira, que deve ser lançado no início de 2001. O repertório, segundo a mesma, ainda não está definido. Até lá, a cantora vai participar dos encontros que vem promovendo ao lado de novas intérpretes da MPB.

     Maria Bethânia esmiuça: "Cada espetáculo vai trazer um convidado. Por exemplo, Jussara Silveira recebe Tânia Bastos e Belô Veloso; Simone vai receber o grupo Penélpe e As Meninas. O projeto será apresentado no Rio de Janeiro e em São Paulo". A cantora também já tem agendados até o final do ano vários espetáculos, inclusive no Reveillon.

     Enquanto isso, Gilberto Gil está se preparando para o lançamento do disco Gilberto Gil e Milton Nascimento, que gravou ao lado do mineiro, previsto para chegar às lojas em novembro. "Nele há cinco músicas inéditas. E Canção do Sal e Canções e Momentos, ambas de Milton. Eu também canto sozinho Something, dos Beatles, e uma do cantor argentino Fito Paez". Os dois artistas também estão ensaiando o show da turnê que farão pelo País e Exterior.

     Observação: mesmo sem a técnica apropriada para se fazer um disco, o baiano está gravando os shows feitos com a amiga. Só para arquivo pessoal. Esta informação pode valer para o futuro.

Débora Nascimento
Diário de Pernambuco
5 de outubro, 2000