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Imitação da Vida
 

Essa merece bis, tris e quantas vezes mais estiver disposta a nos brindar com suas palavras, idéias e, especialmente, com sua música. A abelha Rainha pousa novamente nas páginas de Beat On Line para falar do CD ao vivo, "Imitação da Vida", registro do histórico show "Âmbar". Sem dúvida, um marco na carreira da cantora, do diretor Fauzi Arap e na Música Brasileira. 

Misturando canções do disco anterior, cancioneiro regional, obras que tornaram-se clássicos em sua voz - como "Lama", "Negue", "Explode Coração", "Grito de Alerta" e "Rosa dos Ventos" - textos de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos e Ricardo Reis (pseudônimos do poeta português), ela mostra porque é chamada de diva, considerada a maior intérprete do Brasil e uma das melhores do mundo. 

Maria Bethânia escolheu o trigésimo aniversário da mais tradicional casa de espetáculos carioca, o Canecão, para encerrar a temporada do show que percorreu o Brasil, alguns países da Europa e celebrou seus 50 anos de idade. Aos 51, Bethânia continua com boas idéias, seletiva e cuidadosa. Faz planos para próximos trabalhos envolvendo grandes nomes da literatura (Clarice Lispector e Cecília Meireles) e da música ( Adriana Calcanhoto e Sueli Costa), cogita uma remontagem do inesquecível - para a geração que teve o privilégio de assisti-lo - espetáculo "Rosa dos Ventos" e não deixa por menos quando se refere aos problemas do Brasil. Quem compareceu a entrevista coletiva na colonial casa Villa-Riso, no Rio, encontrou uma mulher irreverente, bem humorada, exigente, dona de um sorriso de menina e, acima de tudo, muito feliz. Tão simples, que é difícil associá-la àquela majestade soberana, absoluta e arrebatadora nos palcos. Senhores, com vocês, Maria Bethânia.

Lúcia Souza
Beat on line
Julho de 1997