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A chuva, que não chegou a ser uma surpresa, foi à nota dissonante no espetáculo que uniu, ontem, num mesmo palco o tenor italiano Luciano Pavarotti e duas divas da Música Popular Brasileira: Maria Bethânia e Gal Costa.
Caindo impiedosamente sobre as sete mil pessoas que compraram os ingressos para o espetáculo, poucos minutos antes do seu início o aguaceiro certamente não influenciou na performance do astro e das estrelas da noite, assim como dos músicos da Orquestra Sinfônica da Bahia, mas contribuiu para o atraso de mais de 15 minutos e deixou a assistência pouco vibrante nos aplausos às apresentações, iniciadas com a protofonia da Opera "O Guarani", de Carlos Gomes, e encerrada com a apresentação conjunta do "Solo Mio".
Um outro detalhe acrescentado à noite festiva pelo aguaceiro foi à democratização do ambiente, colocando por igual às socialites que se produziram com esmero para a grande noite e as garotas que optaram por trajes mais despojados e certamente mais apropriados para o local onde o espetáculo foi realizado. Todas tiveram que vestir as capas de plásticos distribuídas, quase aos empurrões, na entrada mas, até o único socorro contra a água foram às sombrinhas e guarda-chuvas vendidos por camelôs ao longo da Avenida de Contorno. E nessa confusão as pessoas mais idosas, a exemplo de Dona Canô, tiveram que sofrer muito até conseguirem chegar aos seus lugares na platéia.
Músicas
Apesar de tudo, o espetáculo que marcou os 500 anos do descobrimento do Brasil e o ineditismo do principal nome da música lírica no Nordeste, tem tudo para ser inesquecível. Não só pela atuação de Pavarotti, que brindou o público baiano, e visitantes de vários pontos do país, com algumas das mais famosas operas famosas, a exemplo de "Questa o quella" e "La donna móbile" da opera Rigoletto, de "Verdi" e das rias de Puccini "Recondita armonia", "E lucevan le stelle" da opera Tosca.
Maria Bethânia, que ainda pegou o público frio e mal acomodado depois dos tropeços da entrada, após cantar a terceira música "Rosa dos Ventos". Com as expectativas inteiramente voltadas para o tenor o público também não chegou a ser muito caloroso com Gal Costa, que cantou as músicas "Nada Mais", "Garota de Ipanema", "Na Baixa do Sapateiro", "Canta Brasil" e "Se todos fossem iguais".
Coletiva
Na entrevista coletiva realizada anteontem, no hotel Meridien, em Salvador, embora fosse Pavarotti quem tivesse feito a viagem longa (cantara na véspera em Boston, nos EUA), eram Gal e
Bethânia que estavam com cara de "jet lag". Ambas foram essencialmente monossilábicas em suas respostas e pareciam querer deixar claro que estavam lá para cumprir uma obrigação.
Bethânia disse que vai participar das comemorações dos 500 anos do Descobrimento cantando com Caetano Veloso, em Lisboa, em 22 de maio, enquanto Gal afirmou não ter sido convidada para nenhum outro evento do gênero, além da apresentação com o tenor italiano.
Pavarotti, por seu turno, não escondeu seu desconhecimento das cantoras com que estava prestes a atuar. Questionado sobre sua relação com ambas, disparou: "Ela começou há apenas um quarto de hora". Mostrou mais entusiasmo, contudo, ao falar de Carlos Gomes, do qual disse ter estudado a ária "Quando Nascesti Tu", da ópera "Lo Schiavo".
O presidente do Congresso Nacional, senador Antonio Carlos Magalhães, o governador César Borges e o prefeito Antônio Imbassahy, foram alguns dos assistentes ilustres do espetáculo, que certamente não estará incluído entre os melhores já proporcionados pelo grande Pavarotti. Muitos assistentes, ao final, chegaram, a procurar a reportagem de "A TARDE" para registrar a frustração. Mas valeu pelo ineditismo.
Folha da Tarde
08 de Abril, 2000
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